Entrevista a Rafael Albuquerque para o site "Bahia Notícias".
“Minha dificuldade hoje é que os grandes eventos e os grandes blocos estão sitiados nas mãos das grandes produtoras”. Assim o cantor Netinho ressalta as dificuldades que enfrenta em sua carreira, desde que voltou de uma pausa de quase três anos. Nessa entrevista, Netinho também fala sobre a relação com sua filha, com os fãs, e sobre sua vida amorosa. O encontro com sua vida pessoal, os boatos de que estaria com Aids, sua volta ao mercado do axé e sua possível briga com a Caco de Telha são alguns temas que essa entrevista aborda.
Leia na íntegra abaixo:

Coluna Holofote: Netinho, você estará completando 20 anos de carreira no próximo ano. Qual a sensação de ver que mesmo com o surgimento de tantas bandas e cantores novos, você permanece no tão disputado mercado da música baiana?
Netinho: É maravilhoso. Eu credito isso à qualidade do meu trabalho. Ao cuidado que sempre tive com a escolha do meu repertório, com as gravações dos meus discos, com o meu DVD, com a produção dos meus shows, enfim, com tudo que já fiz. Eu sempre fui muito cuidadoso e muito criterioso com tudo isso. Meu trabalho acabou virando referência para as pessoas desde o início. Eu tive uma pessoa fundamental nesse processo todo, que me ensinou muito, que foi Guto Graça Mello. Ele entrou em minha vida na estréia da minha carreira solo. Ele foi diretor musical da TV Globo durante 18 anos, e é meu sócio num estúdio no Rio de Janeiro; então me ensinou muito durante esses anos. Produzo hoje graças a Guto. Posso dizer que minha permanência no mercado é por causa desses fatores todos que citei.
CH: Conta um pouco de sua trajetória nesses 20 anos de carreira que você está prestes a completar em 2009?
Netinho: Eu tocava em bares na noite desde muito novo, e o bloco Beijo estava montando a Banda Beijo. Aí eu fiz um teste para cantor. Acabei passando com mais dois cantores, pois o primeiro disco "Prove Beijo" foi gravado com três cantores: eu, Marquinhos Cora e Dera Barbosa. No segundo disco eu já fiquei sozinho por escolha do bloco. Fiquei cinco anos comandando a banda Beijo, sendo que o último disco, chamado “Axé Music”, foi o de maior sucesso da banda, o meu primeiro Disco de Ouro. Nesse disco coincidentemente a gravadora Polygram me convidou para deixar de lado a banda Beijo e partir para a minha carreira solo como "Netinho". Aceitei e, como já disse, foi nesse momento que Guto Graça Mello entrou em minha vida. Foi aí que tudo aconteceu. O meu primeiro disco solo "Um Beijo Prá Você" foi logo Duplo de Platina. Teve os hits “Capricho dos Deuses”, “Total” e “Menina”. Após outros discos de sucesso e muitos hits, a música "Milla" marcou época com o lançamento do meu primeiro CD ao vivo "Netinho ao Vivo!". Já tive nove canções em novelas da Globo e uma na Record.
Há cinco anos, após muito tempo vivendo apenas para o meu trabalho, resolvi dar uma parada em minha carreira inteira para viver e avaliar a minha vida pessoal. Isso porque eu sempre trabalhei muito desde os tempos de barzinho, sempre trabalhei com música, larguei duas faculdades [engenharia e filosofia] por causa de música, e não tinha vida pessoal, não sabia o que era isso pois só trabalhava. Me sentia infeliz apesar de ter tudo o que o sucesso pode proporcionar a alguém. Além disso, tinha uma filha que eu praticamente não via, porque viajava muito, ficava todo o tempo distante de casa. Daí resolvi parar tudo. Fiquei dois anos e meio sem fazer shows, sem ir à TV, sem tocar no rádio, sem gravar discos. Parei com tudo! E não avisei a imprensa nem a ninguém, porque estava num processo pessoal tão violento em busca de mim mesmo que nem atentei pra isso na época. Esse fato gerou muitos boatos pois ninguém sabia onde eu estava, ninguém sabia o que eu estava fazendo da minha vida. Depois desse período voltei com um disco que gerou uma polêmica imensa, que foi um disco pop, todo autoral, que era um sonho meu antigo. Naquela época eu fui pro Faustão lançar esse disco dizendo que estava fora do carnaval - e estava mesmo - e isso gerou uma grande confusão, até mesmo uma rejeição, porque o Netinho que as pessoas queriam ver não era aquele que estava ali cantando música pop, se apresentando vestido de preto e tocando violão. Todos queriam ver o Netinho da alegria, das músicas de carnaval, que é uma coisa que eu amo também. E aí pronto, passado o período desse disco pop, lancei meu primeiro DVD que se chama “Netinho por Inteiro”, e que conta toda a minha história musical, desde a primeira musica da banda Beijo até as canções do disco pop. A partir desse DVD eu voltei a fazer tudo o que fazia anteriormente na minha vida profissional como carnavais, micaretas, shows em palco, shows em trio elétrico e shows fora do Brasil. Estou feliz demais, me sentindo no início de tudo e com muitos planos e muitas coisas pra fazer. Estou na estrada.
CH: Fazendo uma auto-análise, o que mudou desde sua estréia no carnaval até o Netinho de hoje?
Netinho: Tudo. Hoje sou outra pessoa. Como vivia exclusivamente para o trabalho, acho que passava muito pouco do que eu era para as coisas que fazia. Hoje não. Tudo o que faço é 100% Netinho. Hoje conduzo a minha carreira, e isso interfere muito em tudo. O meu disco novo “Minha Praia” é a minha cara, revela o que penso, o que quero dizer para as pessoas. Apesar de não ser totalmente autoral, eu acho que a gente compartilha a autoria com o compositor no momento em que escolhemos uma canção para gravar. Eu escolhi canções que têm a ver comigo, com o que eu penso, com o que eu quero dizer. Então esse disco é todo a minha cara, reflete o que vivo hoje, minhas idéias, o meu dia-a-dia. Essa foi a mudança. As coisas antes tinham um envolvimento maior de produtores, de gravadora, e hoje sou eu 100% em tudo. Produzo o disco, faço a direção musical e escolho o repertório. Hoje o Netinho revela mais o Ernesto.
CH: Com sua saída da banda Beijo, a cantora Gil, que foi lançada por você, assumiu os vocais da banda. Como ela também deixou a banda, qual sua relação hoje com ela?
Netinho: É apenas de amizade. Logo depois do terceiro disco da banda Beijo eu já não tive mais contato profissional com Gil. Produzi os primeiros discos dela, até “Bate Lata”, depois eu saí pra cuidar mais da minha vida, porque não tinha mais tempo para produzir, para cuidar atentamente desse processo dela. E hoje nós temos uma relação de amizade. Gil é uma figura massa, uma pessoa engraçadíssima que adoro, mas ligação profissional nós não temos nenhuma há muitos anos.

CH: Em 1990 você inovou e levou um trio para a Copa do Mundo na Itália. Você não acha que está faltando essa ousadia atualmente?
Netinho: Eu posso responder por mim. Sou uma pessoa que sempre gostei do diferente. Sofria um pouco com isso porque às vezes era diferente demais para o que as pessoas estavam esperando. Mas sempre gostei de inovar. Já fizemos loucuras na época da banda Beijo e na época de minha carreira solo também. Fui o primeiro artista baiano a levar um trio elétrico para o Rio de Janeiro, numa época em que o Rio estava tendo um grande problema de segurança pública, os arrastões. Nós colocamos o trio num domingo em Copacabana para milhares de pessoas nas ruas sem nenhum incidente. Hoje eu também tenho buscado fazer o diferente. Acho que esse disco “Minha Praia” tem um diferencial muito grande em relação ao que estão fazendo por aí. Estou fazendo agora uma modificação na formação de minha banda, porque atualmente há uma padronização no som do axé. As bandas estão tocando as mesmas músicas, todos com a mesma formação de banda, com raras exceções. Como eu me sinto começando de novo, vem muita novidade aí pela frente. Temos muitos projetos a realizar.
CH: Você acha que vai conseguir obter o sucesso que tinha há algum tempo, quando, inclusive, vendeu 2 milhões de cópias e, em 1997, foi tema de uma matéria do jornal americano “The New York Times”?
Netinho: Olha, não sou hipócrita pra dizer que não quero isso, porque todo artista quer o sucesso, quer atingir o número máximo de pessoas, e o meu desejo também é esse. Mas não é uma preocupação diária, fundamental. Estou muito preocupado hoje em me apresentar pra pessoas que gostam do meu trabalho, e através dessa conquista diária estamos reconquistando aos poucos o mercado e também novos fãs. Nesse tempo que eu saí de cena houve uma grande modificação empresarial e artística na música baiana. Hoje temos os grandes eventos do Brasil nas mãos de produtoras que agiram nesse tempo que eu fiquei fora. Fiquei um tempo sendo produzido pela Caco de Telha e hoje eu tenho minha própria produtora, a “Bem Bolado Produções”. Mesmo assim, continuo em parceria com a Caco. Mas vejo essa questão como minha conquista diária. O mercado hoje é mais difícil, mais complicado. Não tenho mais bloco de carnaval em Salvador. Me desinteressei pelo bloco Beijo e tenho atualmente uma parceria com o Bloco TriMix. Sei que um sucesso maior é uma conquista que temos que fazer, mas não é a minha preocupação principal. Meu maior anseio hoje é fazer grandes shows, grandes discos. Acho que com isso vamos chegar lá.
CH: Profissionalmente falando você acha que atingiu o ápice de sua carreira há alguns anos?
Netinho: Não, de forma alguma. Eu acho que eu tenho muito a aprender. Por exemplo, eu nunca fiz curso de voz na minha vida. Canto instintivamente com o que eu aprendi na época dos barzinhos e nas minhas próprias apresentações. Mas agora vou começar a fazer um curso de voz, que nunca fiz em minha carreira inteira, porque tenho objetivos a alcançar com isso. No show novo vou tocar um pouco de violão e percussão. Me sinto muito longe do ápice profissional. Quero estudar e aprender mais.
CH: O sucesso que você faz em Portugal é semelhante ao que faz no Brasil?
Netinho: A primeira vez que fui e Portugal foi em 1998. Fui praticamente forçado a ir lá porque estávamos cansados, fazendo mais de vinte shows por mês no Brasil, e o pessoal dizendo que eu tinha que ir lá porque o CD "Netinho Ao Vivo" estava estourado lá; a música “Mila” estava estourada, e tal. Eu achava que era pressão da gravadora para vender mais discos em Portugal. Mesmo assim, reservamos vinte dias e fomos para o país. Quando chegamos lá fomos surpreendidos porque dos quinze shows que havíamos marcado, não tinha mais nenhum ingresso à venda. Além disso, fomos recebidos por cerca de 200 fãs no aeroporto, todos com camisa, cartazes, fotos, etc. Foi um choque pra mim quando cheguei porque não imaginava isso. O recorde de público do Coliseu de Lisboa até hoje é meu, pois foram cinco shows seguidos com lotação esgotada. Nos meus shows as pessoas cantavam todas as músicas. Então foi um absurdo o que aconteceu. Fiz todos os programas de TV e rádio diversas vezes. Talvez o diminutivo em meu nome gere um certo "carinho" nas pessoas em relação a mim. Eu não sei certamente porque, mas até hoje sou muito querido em Portugal. E no Brasil também. É claro que existem os altos e baixos na carreira de um artista. Nenhum artista consegue se manter a vida inteira no topo, e eu tive esses estorvos todos em minha carreira, o que acho normal na vida de um artista. Mas eu me orgulho de uma coisa nisso tudo: fui verdadeiro em tudo o que fiz. Quando quis parar de cantar eu parei, quando quis voltar eu voltei, quando quis lançar um disco pop eu lancei, quando eu não quis encontrar fã clubes no aeroporto eu mandei um comunicado via internet para eles falando sobre isso, inclusive isso agrediu muita gente na época, mas era o como eu estava me sentindo naquele momento. Era um momento crítico da minha vida, pois estava de saco cheio de tudo. Hoje agradeço aos fãs porque sou recebido com um grande carinho em todos os lugares onde vou. As pessoas agora compreendem que aquilo era um reflexo do que eu sentia, era a minha verdade.
CH: O não lançamento do disco “Zuêra”, em 2002, foi o real motivo de seu desligamento da Universal Music?
Netinho: Esse disco foi uma proposta da Universal, que sempre me considerou o baiano mais pop da gravadora. Sabendo do amor que eu tinha e tenho pela MPB, eles queriam que eu gravasse um disco de MPB, num formato pop, com músicas bacanas, clássicos, numa pegada para boate. Eu disse que ia adorar, pois era um projeto especial. Aí me deram 120 músicas para escolher o repertório, todas dentro da Música Popular Brasileira. Eu e Guto Graça Mello escolhemos 12 canções que fazem parte desse disco chamado "Zuêra". O disco é um absurdo de bom, mas está na Universal, pois pertence a eles. Tem “Corcovado”, “Mas Que Nada”, “Taj Mahal”, “Coisa Mais Linda”, “Vai Passar”, entre outras. Aconteceu que eu estava fora do carnaval naquele momento e com a cabeça meio louca. Quando o disco ficou pronto, eles escolheram trabalhar a música “Zazueira”, que é de Jorge Bem Jor. O single já estava sendo distribuído para as rádios, e eu fiquei imaginando que se esse projeto desse certo eu iria virar meio que um Emílio Santiago. A Universal ia querer que eu fizesse o “Zuêra 2”, depois o “Zuêra 3”, e assim por diante, como foi o projeto “Aquarela do Brasil” em que Emílio ficou preso durante muito tempo. Então decidi que não iria lançar o disco. Fui na gravadora, me reuni com o presidente, disse que não queria lançar e expliquei os meus motivos. E como eu tinha uma relação muito boa com a Polygram/Universal, ele me disse que ia ser terrível para a gravadora, porque foi um projeto caro, e me deram uma condição. Se eu realmente não lançasse o disco, teria de sair da companhia. Eu concordei. Essa foi a causa do meu desligamento da Universal. O disco está lá até hoje. Há dois anos quando eu lancei a música “Tá Bom” nas rádios, eles queriam colocá-la nesse disco e lançar no mercado. Mas eu não concordei pois a música nada tinha a ver com o "Zuêra". Eu não sei como, mas quase todas as músicas desse disco já estão na internet. É um trabalho incrível. Espero que um dia a gente lance, mas num momento bacana, que não é esse ainda.
CH: Você não considera que sua pausa pode ter sido considerada como um abandono aos seus fãs amantes do carnaval?
Netinho: De início sim. Hoje eles compreendem o processo todo. Como eu te falei, não enviei nenhuma nota à imprensa naquela época, não falei absolutamente nada. Então as pessoas imaginaram um monte de coisas. Boatos de que eu estava com Aids, que eu estava morando em Portugal, que eu tinha mandado alguém envolvido com o axé tomar no cú; esse tipo de fofoca. Mas eu ouvia isso e me divertia, porque não estava a fim de falar nada pra ninguém. Deixei o barco rolar, mas hoje eles compreendem tudo.
CH: Foi um erro não dar satisfação aos fãs?
Netinho: Foi sim. Não só aos fãs como também à imprensa. Foi o maior erro que cometi naquela época. Eu, um artista que vivia na mídia o tempo todo e estava acostumado a estar sempre nos melhores programas de TV, tomei essa decisão, sumi, e não avisei nada a ninguém. Aí dá pra perceber o estado em que eu estava naquela época. Digo a você que essa parada foi fundamental pra minha vida e para a minha carreira.

CH: A pausa na carreira foi uma espécie reencontro com sua vida pessoal? O que isso significou para você?
Netinho: Não foi um reencontro porque na verdade eu praticamente não tinha vida pessoal. Descobri nesse período o que era fazer um churrasco em minha casa com os meus amigos. Nunca tinha feito isso na minha vida porque nunca tive tempo pra fazer. Fiquei completamente embriagado naquele dia, pois foi uma coisa muito gostosa perceber que eu também podia fazer aquilo, que eu também podia ser feliz com coisas simples da vida. Hoje eu viajo para os shows e compromissos profissionais, e quando acaba o trabalho eu saio, vou numa boate, num restaurante, saio com as pessoas. Sou outra pessoa artisticamente e como ser humano. Tenho outra visão de tudo graças a esse período em que parei com tudo e pude reavaliar a minha vida.
CH: Em 2004, após longo período de reclusão, você aproveitou o afastamento da mídia para gravar o CD pop “Outra Versão” com composições próprias. Isso foi uma realização pessoal?
Netinho: Totalmente. Foi a realização de um grande sonho. Na verdade eu compunha muito MPB e pop e não tinha como colocar aquelas canções nos meus discos de carreira, que tinham e têm uma pegada de axé. O fato foi que naquele momento eu estava fora do carnaval e nem pretendia lançar o disco que nasceu de uma brincadeira em minha casa. Porém, o presidente da gravadora EMI me convenceu a lançá-lo no mercado. É um ótimo disco, vendeu 30 mil cópias na época e foi a realização de um grande sonho meu. Particularmente, sou fã desse disco "Outra Versão".
CH: A gravação do seu DVD em 2006 foi um projeto para fazer as pazes com o público e voltar ao cenário do axé music?
Netinho: Isso foi uma conseqüência. A causa na verdade foi o êxito do próprio produto DVD, que explodiu no mercado justamente no período em que eu estava afastado de tudo. Eu precisava lançar as minhas músicas, minha história musical nesse novo formato de mídia. Daí, o DVD "Netinho Por Inteiro".
CH: Você recentemente se desligou em parte da Caco de Telha. Houve algum problema?
Netinho: Não houve problema algum. Tenho uma relação antiga com Jesus Sangalo, que foi meu colega de escola. Logo depois eu conheci Ivete e tive uma história linda de amizade com ela. Na época em que eu lancei o meu primeiro CD ao vivo, que tinha a música “Mila”, Ivete estava no segundo CD na banda Eva. E eu passei a minha turnê toda falando de Ivete em todos os shows, apenas por gostar dela. Meu empresário na época, inclusive, me perguntou se eu sabia quanto custava um artista na posição em que eu estava, fazer aquela propaganda toda e eu respondi que Ivete era minha amiga e que faria o que pudesse por ela. Bem, há dois anos e meio, através de um convite de Ivete, eu fui para a Caco de Telha. Mas a Caco é uma empresa muito grande. A própria Ivete é um produto muito grande. Sei bem o que é isso. E eu queria rapidez nas minhas coisas. Foi aí que abri a minha produtora "Bem Bolado Produções" pra gerir minha carreira, porém continuo em parceria com eles em vendas de shows. Faço também o projeto Cerveja e Cia em algumas cidades com Ivete. Este ano faremos em Teresina e em Porto Seguro.
CH: Você está tendo alguma dificuldade desde que voltou a ativa na carreira solo?
Netinho: Tenho e terei muitas dificuldades. Carreira solo já é uma coisa complicada. Quando é uma banda, apesar de se ter um cantor como figura principal, não há um nome que receba toda a responsabilidade para si. Há uma figura central, mas não é o nome da pessoa que está em foco. Ao contrário, numa carreira solo tudo é centrado em você, no seu nome, no que você faz. Então é muito mais complicado. Você não tem como se esconder por traz de uma marca, de um nome qualquer. É você que está ali, é a sua vida, é a exposição pública que você oferece da pessoa que você é. Dificuldades sempre haverão para todos mas estou aqui com a minha equipe para enfrentá-las.
CH: A receptividade dos baianos foi boa?
Netinho: Excelente, apesar de eu ter sido sempre um artista muito controverso. E agradeço a todos por esta receptividade. A minha maior dificuldade hoje é que os grandes eventos e os grandes blocos estão sitiados nas mãos das grandes produtoras. Então eu estou tentando furar isso aos pouquinhos com parcerias, e sei que vou chegar lá.
CH: Mudando um pouco de assunto, como sua filha reage à sua ausência por conta da música?
Netinho: Ela já entende boa parte disso. Não sendo hipócrita, eu não sou nem de longe o pai que deveria ser pra minha filha, porque minha própria profissão e dia-a-dia não permitem. Sou separado da mãe dela há alguns anos, e tenho Bruna somente nos fins de semana. Mas nos fins de semana estou sempre viajando a trabalho. Falo muito com ela, mas nos vemos muito pouco. O bom é que hoje ela entende minha situação de ser artista. Está estudando piano, adora cantar, adora ópera. Não sei se ela vai seguir a carreira musical, mas estou deixando rolar. Independente de tudo, eu tenho uma relação fantástica com ela. Relação de um pai que é artista. E ela está compreendendo, mesmo porque já está chegando na fase do diálogo sério e compreendido.
CH: Falando nisso, como anda sua vida amorosa?
Netinho: Apaixonadíssimo e comprometidíssimo. Meu blog é um reflexo disso. Sempre estou escrevendo coisas de amor. Estou apaixonado como nunca estive. E isso é bom porque esse amor reflete em tudo que faço, fico rindo à toa. Estar apaixonado é muito bom, você faz tudo melhor.

CH: Fala sobre o CD "minha praia", que acabou de ser lançado e tem música nova nas rádios, "Caça e Caçador".
Netinho: É o 18º CD da minha carreira. Está saindo pela gravadora Som Livre, numa parceria maravilhosa, pois quando fechamos o contrato, a minha condição era que o preço do CD fosse bem reduzido, para competir até com a pirataria. E a gente conseguiu. Está sendo vendido a R$ 9,90 nos sites da internet e nas lojas também. Às vezes as lojas vendem mais caro por opção própria, mas o CD é vendido por um preço bem menor a ela. Esse é um preço fantástico pra o lançamento de um CD, porque ele tem um encarte bacana e excelente qualidade. Podemos combater a pirataria com preço e qualidade. Eu fiz a produção e direção musical desse trabalho. Pela primeira vez eu fiz uma mistura inusitada, pois parte do CD foi gravado em estúdio e parte ao vivo. No CD tem 11 faixas de estúdio e depois entra um mini show com quatro músicas ao vivo. Uma delas é “Caça e Caçador”, que é a faixa de trabalho atual, uma canção de Claudio Rabelo, gravada por Fábio Jr anos atrás. Tem também no CD um grande presente dos amigos do grupo "Aviões do Forró" que é a música “Comendo Água”, e está com um arranjo maravilhoso. Tem a gravação de “Tá Bom”, que lancei nas rádios no carnaval do ano retrasado e agora lanço em disco. As canções estão maravilhosas, inclusive estamos batalhando pra colocar alguma em uma novela da TV.
CH: Porque a música “Caça e Caçador”?
Netinho: Por causa do reflexo dos shows. Nós já vínhamos tocando ela nos shows, e para mim essa canção está no subconsciente de todos. É uma música linda e a mulherada adora. Tem uma letra fantástica, que fala de amor. Então eu preferi nesse momento do lançamento do CD trabalhar “Caça e Caçador”, que todo mundo já conhece. O arranjo é bem diferente, pra cima, alegre e animado. Mas daqui a um mês devemos entrar com a nova música de trabalho. E depois virá a terceira, que é para o carnaval, e que vai ser a faixa “Muito Bom”.
CH: Quais seus projetos futuros?
Netinho: Tenho muitos projetos em mente. O "Luau Mix" é um projeto que estreiamos no ano passado às vésperas do carnaval, e foi um grande sucesso abarrotando de gente a Bahia Café Beach, em Salvador. Já fizemos o segundo, também em Salvador, nesse São João também com enorme sucesso. É um evento que promove a mistura de ritmos sempre com um show meu de três horas de duração mais uma banda convidada com o estilo dependendo do momento. Se for perto do carnaval pode ser uma banda de axé, se for no meio do ano, uma banda de forró. Podemos ter também bandas de pop ou rock'n roll. Além desses dois shows, temos também DJ's com muita música eletrônica. Ainda esse ano faremos o "Luau Mix Eletro", em outubro ou novembro, em Salvador, essa edição com 24 horas de duração. Vai abrir com uma banda convidada pop ou rock 8 da noite. Meu show entrará 10 da noite, mas um show diferente chamado "Lado B", com músicas que nunca toco nos meus shows normais de axé, porém tudo muito dançante. Depois começa uma rave que vai até as 16h do dia seguinte. Após isso eu faço outro show, dessa vez o normal, das 16 às 18 horas, durante o por do sol. Ao fim, continua a rave até as 20 horas. Nas vésperas do próximo carnaval, faremos também um outro "Luau Mix", na barraca Bahia Café Beach também em Salvador. O meu carnaval ainda está em definição. Sexta e sábado está certo o bloco TriMix no Circuito Barra/Ondina. Domingo, segunda e terça estão indefinidos ainda, mas estarei em Salvador. A minha nova turnê terá sua estréia na festa de lançamento do CD "Minha Praia" em Salvador, no dia 17 de agosto.
Tenho também o projeto "Netinho Cara a Cara" que estamos levando para todo o Brasil e que leva o meu show para até 1500 pessoas em inferninhos aconchegantes favorecendo a paquera e a animação da galera. Este projeto é especial, e só acontecerão poucos, sempre nas brechas da minha agenda de shows normais.
Por Rafael Albuquerque