
Na tarde de anteontem um tio muito querido deixou este nosso convívio e partiu para o descanso, para a luz, para a eternidade. Durante todos esses anos já vividos, tenho buscado me acostumar com esse tipo de perda numa tentativa de aliviar a dor que me tomará quando aqueles que amo se forem.
Em vão.
Na verdade, até consigo encarar a morte de uma maneira quase totalmente racional já que sou darwiniano e apreciador da teoria científica da origem do homem e do universo.
Ainda assim, e por mais que a mente lute para escrever a situação matematicamente, o coração se desfaz.
Tio Edeyson.
Ótimo pai, espôso e amigo.
Prá mim, assim como o meu pai, deixou uma herança incalculável de honestidade, caráter e correção.
Tudo aconteceu muito rápido.
Outro dia eu estava em sua casa gravando o programa da Eliana com a minha tia e ele levantou-se da cama para me dar um abraço.
Confirmei ali mais uma vez o quanto o meu tio gostava de mim.
Em pouco tempo uma crise, o hospital, médicos e diferentes diagnósticos.
A morte é cruel.
Inevitável e cruel.
Cruel para nós que ficamos aqui.
Para os que já foram, não sabemos ainda como é.
Diante da frieza da morte e da possibilidade de a encontrarmos a qualquer instante da nossa vida, tudo o mais perde o sentido. Ou ganha um sentido maior a depender das crenças de quem a observa.
Por mais que eu tenha dentro de casa incontáveis motivos para acreditar na reencarnação ou numa espiritualidade maior através dos sonhos, visões e premonições da minha mãe, prefiro crer que após a morte tudo se acaba para quem parte.
Sei que esse é um tema bastante amplo e complexo e que talvez a colocação da minha visão aqui no blog excite algumas pessoas e traga uma grande e inflamada discussão.
Mas é como eu penso, como vejo esta parte de nós.
Este sou eu.
Calçado no conhecimento que adquiri até aqui, penso que Deus é uma criação do próprio homem e que o fato de bilhões de mentes acreditarem na história que se contou, ele tornou-se, digamos assim, "real".
Não sei se me entendem.
Acredito em energia, em troca de energia, em transferência de energia.
Tudo que nos cerca, além de nós é claro, é energia.
Sendo assim, um olhar, um pensamento, uma palavra dita ou calada, um desejo, uma crença, TUDO isso é energia.
E o poder dessa energia é incalculável e imprevisível.
Sou adepto do "acredite que você é e você será!".
Sou adepto também da metáfora de Matrix (o filme) que nos compara a uma bateria geradora de energia.
Quanto do nosso cérebro a ciência já desvendou mesmo?
Quanto da mecânica do nosso cérebro já entendemos?
5%?
7%?
10%?
Na verdade, muito pouco.
Acredito no poder do nosso cérebro assim como acredito no poder do amor.
Seja qual for a verdade, penso que o amor é a nossa maior conquista.
Nossa mais poderosa "energia".
Se observarmos bem, ele transcende qualquer teoria, qualquer crença.
Não é à tôa que o livro mais discutido e lido do mundo afirma que "Deus é amor".
Penso que dei a volta no quarteirão e retornei ao ponto de partida.
Por causa disso vou parar por aqui...
Adoro tomar um bom vinho e adentrar empiricamente neste tema que parece ser amplo como o próprio universo.
Meu tio pode ter ido para o céu assim como pode ter mergulhado no total vazio que uma anestesia geral nos confere.
Não importa.
O que importa mesmo é sentir o amor indestrutível que ele nos deixou.
Indestrutível e inevitável, assim como a morte!
Netinho.
Obs: O que me levou a escrever esse texto foi uma foto do meu tio Edeyson na UTI, pouco tempo antes da sua morte, enviada por minha prima Lavínia.
Esta é a minha homenagem ao meu Tio Edeyson que amo.
Lau, o olhar da sua mãe naquela foto ao lado do seu pai me fêz literalmente perder o chão.
Ali eu vi força, aceitação, companheirismo e amor, muito AMOR.
Que coisa linda!
Prá você (e você sabe bem porque) eu digo: Celebre este amor!
Esqueça a perda pois enquanto apenas matéria, nada valemos.
Te amo, prima!
Um beijo.