Quando eu trouxe o meu blog para esta configuração atual eu avisei aqui que iria republicar alguns textos que havia escrito no blog anterior para que ficassem como registro. Olhando todo o blog agora, vi que esqueci de um texto muito bacana que escrevi sobre o filme "Carros".
Segue o post na íntegra:
"Carros, iPod's e taças vazias

Acabei de chegar do cinema com Bruna, minha filha, uma amiga dela, a Camila, e minha mãe. Fomos assistir "Carros", o mais recente filme em cartaz da Disney e da Pixar. Sou um fã declarado da Pixar e essa história vem de muito tempo. "Carros" se passa nos Estados Unidos e começa num circuito de corrida de automóveis.
Fui aos Estados Unidos pela primeira vez em 1993 com Guto Graça Mello, que estava produzindo meu primeiro CD solo pela Polygram, o "Um Beijo Prá Você." Foi uma viagem para compra de novos equipamentos de gravação, e algumas coisas marcaram aqueles dias. Além de todo o brilho cosmopolita de Nova Iorque, descobri o mundo MAC. Queria comprar um computador e Guto me indicou o Macintosh, da Apple. Comprei um IIVX. Nasceu aí uma paixão que dura até hoje. Nunca fui dono de um PC rodando Windows e não sei nem como usá-los. Sempre usei MAC's.
Em minha casa tenho um pequeno museu de MAC's.
Vários modelos antigos que ainda funcionam.
Entre esses modelos há um Mac Classic, que roda um banco de dados que eu mesmo fiz no FileMaker e que cataloga toda a minha coleção de CD's.
A Apple, para quem não sabe, é a criadora e fabricante do comentado e prestigiado tocador de música digital iPod. A Apple também carrega em seu currículo a criação do primeiro computador pessoal (PC), do desktop (interface gráfica) dos computadores, do mouse, da primeira máquina fotográfica digital, entre outros avanços. Esta empresa tem vendido no mundo 8,1 milhões de iPod's a cada três meses. Um absurdo de bom! Um dos fundadores da Apple, hoje CEO (no popular, chefão) e cérebro da companhia, é o Steve Jobs. Esse cara chegou a abandonar a Apple uma década atrás e voltou triunfante levantando a empresa com produtos inovadores e boas vendas.
Ele é o pai do iPod e seus congêneres.
Esse mesmo cara acabou de vender a Pixar para a Disney e se tornou assim o maior acionista individual desta empresa. Imagine, o cara hoje é dono sozinho de 7% da Disney.
Sou um fã declarado da Pixar.
A Pixar Animation Studios foi criada por George Lucas (aquele da saga "Star Wars") décadas atrás e comprada por Steve Jobs em 1986. É uma empresa de animação que utiliza imagens geradas por computador e é ganhadora de vários prêmios. Muitos filmes que vocês já devem ter assistido foram criados pela Pixar, a exemplo de "Toy Story", "Procurando Nemo" e "Os Incríveis". Todos eles sucesso de bilheteria no cinema. E todos eles desenvolvidos em plataformas Macintosh, tudo Apple, de Steve Jobs.
Olha o que esse cara fez. E faz.
O cinema cada vez mais tem tirado proveito da tecnologia de edição digital desenvolvida para sistemas Macintosh. Mais do que gerar espetaculares efeitos gráficos e especiais, o computador MAC oferece muitas vantagens para os profissionais de vídeo e cinema. Aqui no Brasil por exemplo, o filme "O Homem Que Copiava" foi um longa-metragem todo montado e editado em "Final Cut" (programa de edição digital de vídeo, da Apple).
A Pixar, por ser também de Steve Jobs, foi pioneira nisso.
A criatividade, arrojo e inovação são marcas da Pixar.
"Carros" é fantástico.
Fiquei impressionado e emocionado com o filme.
O realismo do desenho nas paisagens é inacreditável.
E olhe que eu sou um curioso no assunto. Já cheguei a tomar um curso de edição digital de vídeo em "Final Cut" no Rio de Janeiro e sempre ando lendo sobre o assunto. A Pixar se supera filme a filme. No cinema atual, a fronteira entre imagens reais e as criadas por computador está cada vez mais estreita. Vê-se claramente em "Carros" o esqueleto gráfico de vários efeitos encontrados em filmes como "Matrix", "X-Man" ou "Homem Aranha". Um absurdo de bom. Eu adoro. Está tudo muito bem feito no filme. As simulações de tomadas de câmera, as texturas dos pneus dos carros e outros materiais, é tudo incrível.
Além desse show de imagens e cores, "Carros" também emociona.
E ensina.
E educa.
Da mesma forma que antecessores seus como "Monstros S.A." e "Procurando Nemo". Esta parece ser também uma característica desses desenhos da Pixar. Emoção. E vem naquela dose calculada frame a frame para tocar o coração da gente. Da forma como ensinou o mestre judeu Steven Spielberg que dirigiu, produziu e foi produtor executivo de sete dos 20 maiores filmes da história do cinema. Quem não chorou ou sentiu o coração apertado quando o garoto se despediu do ET em "E.T, o Extraterrestre"?
"Carros" emociona.
Emociona e fala sobre amor, moral e caráter.
Talvez ensine e toque mais a nós adultos do que os baixinhos.
"Lightning McQueen, um carro de corrida estreante e ambicioso, percebe que, na vida, o que importa é o percurso, e não somente cruzar a linha de chegada, ao pegar um atalho inesperado que o leva à pacata cidade de Radiator Springs à beira da famosa Rota 66. Cruzando o país para competir contra dois veteranos profissionais na famosa Copa do Pistão, na Califórnia, McQueen acaba fazendo amizade com os estranhos residentes locais - a bela máquina Sally (uma Porsche 2002), Doc Hudson (um Hudson Hornet 1951), e Mater (um velho, porém confiável reboque). Eles o ajudam a ver que há coisas mais importantes que troféus, fama e patrocínios."
Saí do cinema leve e pensando um monte de coisas.
"Na vida o que importa é o percurso, e não somente cruzar a linha de chegada."
Pôxa, aprendi isso muitos anos atrás com a própria vida.
E como foi bom ver isso no filme.
Depois do cinema fomos comer uma pizza.
Olhei para Bruna...
Como queria conversar sobre isso com ela...
Mais alguns anos e farei isso.
Agora você que está lendo esse texto: Olhe ao seu redor.
Quantas pessoas vivem pensando em cruzar a linha de chegada todos os dias na frente de todos os outros e deixam um rastro de erros e inconsequências pela estrada...
Tudo isso (metaforicamente falando) para receber um troféu, uma taça como prêmio.
"Há coisas mais importantes que troféus, fama e patrocínios."
Falei isso para meu empresário e sócio Misael Tavares há quatro anos, dentro da piscina em minha casa em Guarajuba, quando resolvi dar a parada que dei em minha carreira. Com os olhos cheios de água, falei sobre "taças vazias". E sobre o quanto me sentia um homem vazio naquele momento apesar de tudo que eu já havia conquistado na minha vida profissional.
"Taças vazias".
Como foi bom ver isso no filme.
Vocês que me lêem aqui me conhecem muito pouco.
Conhecem mais o "Netinho".
Muito pouco conhecem do "Ernesto".
Esse é um preço que toda pessoa pública paga.
Como eu queria conhecer Steve Jobs.
E Steven Spielberg.
E George Lucas.
E ter a oportunidade de conversar um pouco com eles sobre "Carros", iPods ou taças vazias.
Acho que eles adorariam falar sobre isso.
Netinho"
Escrito em 23 de julho de 2006 às 22:19hs