Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

SACO DE GATOS

Publiquei esse texto no meu blog antigo no dia 27 de março de 2007, 02:07


Eu não votei na última eleição para presidente.
Estava até em Salvador mas não me senti estimulado.
Volta e meia eu me pego imaginando como é que funciona realmente o ambiente político.
Gostaria de saber um pouco da experiência de Brasília, do Congresso nacional, daquela mecânica ali.
Aqui no Brasil, assim como em boa parte do mundo, os políticos estão tão desacreditados que é até difícil citar um nome que consideramos correto nesse meio. Cada vez mais a imundície dos bastidores da política nacional é exposta. Cada vez mais rápido ficamos sabendo o que ocorre em Brasília por trás da tombada estilosa arquitetura de Oscar Niemeyer. Os jornais e revistas nacionais desenvolveram na área da política a reportagem investigativa e têm mostrado fatos que não seriam revelados sem as suas ações.
O engraçado é que, com esta evolução da imprensa e com a quantidade imensa de informações sobre armações escusas reveladas quase que diariamente, mais caras-de-pau ainda ficam os políticos que nos representam na capital federal.
Vocês já notaram que nós vamos tendendo a nos acostumar com tudo isso?
Esses absurdos vão ficando "normais" com o passar do tempo.
São tantas as fraudes, os roubos, as CPI's e as armações, que acabam fazendo parte do cotidiano da grande maioria assim como as contas a pagar, a previsão do tempo, dormir ou acordar.
É lamentável essa falta de atenção e esse descaso da maioria dos brasileiros com o que esses caras estão fazendo com o dinheiro público e com o destino do Brasil.
Para os que seguem as regras; para os que pagam em dia os impostos; para os que praticam a ética, tudo isso é revoltante!!!
Só para citar um pequeno exemplo, vejam uma matéria que está na edição dessa semana da revista Veja. É sobre o que acontece dentro da Infraero, organização que cuida dos aeroportos brasileiros e que detém uma verba para investimentos anuais de quase um bilhão de reais. Além de expôr uma transação danosa aos cofres públicos que quase se realiza dentro da empresa, a revista deixa claro o alto grau de interesse dos políticos e seus partidos na administração da Infraero.
A matéria expõe o caso, dá nome aos bois, mas cabe a nós a cobrança para que tudo seja esclarecido e as pessoas envolvidas percam seus cargos e paguem pelo que fizeram. Cabe a nós pois os próprios políticos que nós elegemos para realizar esta função estão envolvidos com o caso.
E aí, como fica?
Na semana que vem uma nova edição da mesma revista trará casos novos semelhantes a este e é assim que a coisa caminha.
Estamos perdidos?
Isso que acontece na Infraero também acontece na Petrobrás, nos Correios, em Furnas, na Caixa Econômica Federal e nas outras companhias estatais.
Pela administração dessas empresas os nossos representantes travam uma verdadeira briga de foice. Ao término do brigado e na condução de alguma dessas estatais, eles fazem a festa: Desviam verbas, trocam favores, negociam influência e se locupletam com o dinheiro do povo brasileiro.
Estamos diante de um saco de gatos?

Ninguém se salva?
Será que o poder tem o poder de corromper até mesmo aqueles de caráter mais evoluído?
Precisamos aprender a cobrar.
Precisamos entender que quem os coloca lá no poder somos nós e por ser assim a nossa voz deve ser o fio condutor do que se faz na política brasileira.
Lula é o presidente da república mas trabalha para nós, povo brasileiro, únicos acionistas por direito desse país.
Com o impeachment, todo o poder e status de qualquer presidente rapidamente se acaba.
Com ele, que não é um processo criminal e sim político, o chefe do Poder Executivo é imediatamente afastado do seu cargo.
Poderia ser diferente.
O Brasil precisa aprender a punir criminalmente os políticos que fazem mau uso do dinheiro público.
Um crime como esse deveria ser encarado como um crime comum e o político poderia então ser processado e julgado pelo Supremo Tribunal federal.
Hoje, os crimes políticos são considerados quase sempre como crimes de responsabilidade e aí é necessário a abertura de CPI's que quase sempre dão em nada pelo mesmo motivo da corrupção e falta de ética.
Não devia existir imunidade parlamentar num país corrupto como o Brasil.
Precisamos ter memória e lembrar dos nomes e fatos passados.
Precisamos evitar a reincidência de corruptos e ladrões na política brasileira.
Precisamos elaborar e manter atualizada uma lista pública com o nome dos maus políticos e pregá-la em cada poste pelas ruas do nosso país.
Precisamos moralizar de vez a política nacional.
Já ouvi muitas vezes pessoas do bem que até gostam de política falarem que jamais entrariam no meio por não quererem se envolver com o limbo que existe lá dentro. Esse pensamento deveria caminhar em outra direção. Essas pessoas do bem que têm afinidade com a política deveriam é entrar mesmo lá para "limpar" Brasília dos gatunos que fizeram da cidade moradia e meio de vida.
É até engraçado observar o nosso presidente às voltas com a construção do seu novo ministério.
Na verdade, um novo ministério deveria trazer nomes novos, pessoas capazes e experientes em condições de administrar o Brasil.
Deveríamos é estar comemorando e torcendo por este novo time como costumamos torcer pelo Brasil nas Copas do Mundo.
Ao contrário, ficamos desolados ao ver no ministério nomes cansados que já se envolveram em maracutaias ao longo da história.
É como diz a minha música "Balanço Legal": "Já tá tudo combinado..."

Eu errei quando não votei na última eleição para presidente.

Netinho