FAROFA DE BISCOITO
Publiquei esse texto no meu blog antigo no dia 22 de agosto de 2006, 03:12
Junho de 1998, Blue Estúdio, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Gravação do meu CD "Radio Brasil" que, entre outras músicas, tinha no repertório "Lugar Nenhum", "Indecisão" e uma regravação minha mesmo de "Por Teu Beijo".
Estava eu no meu estúdio por volta das 11 da manhã quando dei de cara com a cantora Alcione que estava lá fazendo alguma gravação. Ela havia pedido a meu sócio e então produtor musical Guto Graça Mello para me conhecer. Foi uma pequena festa. Minha banda também estava lá e todos tiramos fotos com a Marrom e rimos bastante. Foi massa!
Para mim, esta Maranhense de São Luís é uma das nossas melhores cantoras, dona de um vozeirão fantástico e de um jeito de cantar bastante particular. Acomodada confortavelmente no samba, ela também interpreta baladas românticas como ninguém e tem o dom de sempre imprimir calor e paixão nas melodias das canções que grava.
Ela é musicalmente farta!
Farta como artista e como ser humano também.
Farta e muito generosa.
Pelo menos foi essa a impressão que deixou em mim.
Naquele dia, antes de ir embora, ela me perguntou se estaríamos ali no sábado seguinte.
Eu respondi afirmativamente.
Ela então me disse:
- Menino, não peçam nada prá almoçar pois eu trarei uma comida prá vocês!
Aquilo soou um misto de surpresa, novidade, e para alguns, conversa fiada.
Imagine se Alcione iria voltar ali apenas prá levar um almoço prá gente...
Fala sério!
Voltamos às gravações e aquilo acabou sendo esquecido com o passar da semana.
Pense na dimensão da surpresa que tivemos quando, no sábado seguinte, Alcione baixou lá no estúdio acompanhada da irmã e de um sobrinho.
E o improvável aconteceu: Sob os seus braços havia pratos, talheres, e um verdadeiro banquete prá gente, feito por ela mesma.
Que coisa linda!
Vejo o ato de alimentar como algo de muito bonito.
Desde o peito necessário que é cedido por uma mãe ao seu filho até um jantar trivial que se prepara para amigos numa reunião informal.
Não falo do ato urgente de matar a fome. Necessidade.
Nem de saciar os famintos que convivem com a miséria. Obrigação.
Falo do ato desprendido, descompromissado e voluntário de preparar uma refeição e servir.
Há aí dentro, por mais lúdico que seja o momento ou a intenção, a riqueza do ato de alimentar.
Alcione, naquele dia, nos confirmou o quanto é bonito fazer isso.
Descompromissadamente.
Sem vínculos com causalidades.
Sem nenhuma necessidade urgente.
Apenas pelo prazer de servir. De alimentar.
Naquele dia, num ato humilde e muito humano ela nos serviu, um a um, como uma mãe.
Lembrei desse momento (transformado em presente) feliz e inesquecível que vivi e resolvi postar aqui depois de ler um e-mail que recebi de um blogueiro hoje à tarde. O e-mail era enorme mas o que me remeteu a este caso foi o seguinte trecho:
Não devemos dar muita importância ao que os outros vão pensar ou falar...
O que importa é sermos realmente felizes, não importando o quanto você possa parecer bobo ou errado, frente aos olhos de quem nunca vai saber o que realmente se passa em sua mente ou no seu coração...
A felicidade está aí, de graça e prá quem quiser tê-la.
O que precisamos é saber enxergá-la em cada pequeno presente que recebemos o tempo todo em nossas vidas!
Naquele dia Alcione cozinhou para nós um bobó de camarão inesquecível, acompanhado de arroz branco e farofa de biscoito cream cracker.
Ela nos deu um presente.

Marrom, onde você estiver, um beijo enorme no seu coração, do tamanho da sua generosidade.
Netinho
Junho de 1998, Blue Estúdio, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Gravação do meu CD "Radio Brasil" que, entre outras músicas, tinha no repertório "Lugar Nenhum", "Indecisão" e uma regravação minha mesmo de "Por Teu Beijo".
Estava eu no meu estúdio por volta das 11 da manhã quando dei de cara com a cantora Alcione que estava lá fazendo alguma gravação. Ela havia pedido a meu sócio e então produtor musical Guto Graça Mello para me conhecer. Foi uma pequena festa. Minha banda também estava lá e todos tiramos fotos com a Marrom e rimos bastante. Foi massa!
Para mim, esta Maranhense de São Luís é uma das nossas melhores cantoras, dona de um vozeirão fantástico e de um jeito de cantar bastante particular. Acomodada confortavelmente no samba, ela também interpreta baladas românticas como ninguém e tem o dom de sempre imprimir calor e paixão nas melodias das canções que grava.
Ela é musicalmente farta!
Farta como artista e como ser humano também.
Farta e muito generosa.
Pelo menos foi essa a impressão que deixou em mim.
Naquele dia, antes de ir embora, ela me perguntou se estaríamos ali no sábado seguinte.
Eu respondi afirmativamente.
Ela então me disse:
- Menino, não peçam nada prá almoçar pois eu trarei uma comida prá vocês!
Aquilo soou um misto de surpresa, novidade, e para alguns, conversa fiada.
Imagine se Alcione iria voltar ali apenas prá levar um almoço prá gente...
Fala sério!
Voltamos às gravações e aquilo acabou sendo esquecido com o passar da semana.
Pense na dimensão da surpresa que tivemos quando, no sábado seguinte, Alcione baixou lá no estúdio acompanhada da irmã e de um sobrinho.
E o improvável aconteceu: Sob os seus braços havia pratos, talheres, e um verdadeiro banquete prá gente, feito por ela mesma.
Que coisa linda!
Vejo o ato de alimentar como algo de muito bonito.
Desde o peito necessário que é cedido por uma mãe ao seu filho até um jantar trivial que se prepara para amigos numa reunião informal.
Não falo do ato urgente de matar a fome. Necessidade.
Nem de saciar os famintos que convivem com a miséria. Obrigação.
Falo do ato desprendido, descompromissado e voluntário de preparar uma refeição e servir.
Há aí dentro, por mais lúdico que seja o momento ou a intenção, a riqueza do ato de alimentar.
Alcione, naquele dia, nos confirmou o quanto é bonito fazer isso.
Descompromissadamente.
Sem vínculos com causalidades.
Sem nenhuma necessidade urgente.
Apenas pelo prazer de servir. De alimentar.
Naquele dia, num ato humilde e muito humano ela nos serviu, um a um, como uma mãe.
Lembrei desse momento (transformado em presente) feliz e inesquecível que vivi e resolvi postar aqui depois de ler um e-mail que recebi de um blogueiro hoje à tarde. O e-mail era enorme mas o que me remeteu a este caso foi o seguinte trecho:
Não devemos dar muita importância ao que os outros vão pensar ou falar...
O que importa é sermos realmente felizes, não importando o quanto você possa parecer bobo ou errado, frente aos olhos de quem nunca vai saber o que realmente se passa em sua mente ou no seu coração...
A felicidade está aí, de graça e prá quem quiser tê-la.
O que precisamos é saber enxergá-la em cada pequeno presente que recebemos o tempo todo em nossas vidas!
Naquele dia Alcione cozinhou para nós um bobó de camarão inesquecível, acompanhado de arroz branco e farofa de biscoito cream cracker.
Ela nos deu um presente.

Marrom, onde você estiver, um beijo enorme no seu coração, do tamanho da sua generosidade.
Netinho



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